Tarô – cabala – astrologia – numerologia

AS DUAS PRINCIPAIS CORRENTES DE ESTUDOS DO TARÔSIMBOLOGISTAS E CABALISTAS

Comparação entre as imagens do Mago de Marselha e Rider Waite.

Comparação entre as imagens do Mago de Marselha e Rider Waite.

                Inicialmente o que sabemos é que nenhum dos grandes mestres antigos até por volta do Sec.XIII nada relataram sobre tarô ou arcanos (trunfos no iníco) em nenhuma parte do mundo.

19-o-sol-tarot-egipcio-da-kierA origem egípcia  provou-se o contrário e nem sequer há indícios de nada parecido no Egito e que o famoso Tarô Egípcio foi feito na Argentina. Ninguém sabe a origem até hoje e tudo são suposições.

 

 

 O que se sabe é que surgiu em algum lugar da Europa por volta do Sec.XIV e  o que se veio a chamar 22 Arcanos  Maiores, surgiu mais ou menos 50 anos depois das já conhecidas 56 cartas que vieram a ser os Arcanos Menores.

                 Também não se sabe como foram reunidos e formaram o que nós conhecemos hoje como Tarô (com os 78 arcanos); também não se sabe quem ou como  teriam sido  criadas  as 22 cartas principais.

                A fonte mais fidedigna sobre a história do tarô  são as obras encicloédico-históricas de Stuart Kaplan e as de Michael Dummett, pois a net esta cheia de colocações pessoais sem conteúdo histórico e paste/copy de sites em sites.

 

Quem foi o primeiro tarotista profissional da história que se tem notícia?

allietteO primeiro tarotista profissional e o primeiro a escrever um livro totalmente dedicado ao tarô  (Manière de se Récréer avec le Jeu de Cartes Nommées Tarots. Paris, França: 1783) foi Etteilla, codinome do franês  Jean Baptiste Alliette (1738-1791). Mas enganou-se na origem egipcia.

 

Fez um excelente  trabalho sobre o tarô com mais 11 livros sobre o assunto, inclusive um baralho de tarô, sendo o primeiro professor e ensinando a muitas pessoas como jogar chegando a ter 500 alunos em Paris; e também a primeira organização dedicada ao estudo e interpretação do tarô.

                Ele é a base do que se conhece sobre o tarô advinhatório (taromancia); mesmo os que falaram mal de sua obra (cabalistas) utilizaram o que ele ensinou a nível taromântico.

                Da mesma época de Etteilla e baseando-se nas obras deste temos as famosas Mlle.Lenormand ( 1771-1843), Mlle. Clément e Mlle. Lemarchand como as cartomanates mais representativas da época, e que também escreveram livros e ensinaram a jogar todos tipos de cartas e também o tarô.

                Estudando o período inicial das cartas de jogar comum e a aparição dos arcanos maiores 50 anos depois, com imagens cotidianas daquela época e o fato de ser jogado por toda a sociedade, dos reis aos pebleus, nota-se que era algo comum.

Você sabia que o tarô se tornou empresa pública em vários países europeus?

privado-publico                 Era tributado e foi tornado empresa pública em vários países, inclusive com a profissão de artesão de cartas oficialmente colocada, era taxado e selado, tendo isto durado mais de 400 anos.

                 Ter se tornado tão comum que foram criadas leis com proibições de se jogar em hora de trabalho.

                 A igreja,  devido a jogatina ser tão grande, havendo quem perdesse fortunas,  ter indicado o mal, mas nunca  existiu proibição como algo demoniáco.

                 E note que durante todo o período da inquisição nunca ninguém foi morto por ser tarólogo.

                 Pintores  documentaram em arte pessoas jogando (lembre-se não havia muita coisa para se ocupar naquela época sem tecnologia), existem milhares de obras, baralhos de tarô de todos os tipos, feitos Sob encomenda para vários reis.

                Alguns se  tornaram famosos como o Tarot  Visconti Sforza, da casa Viscont Sforza que governava a cidade de Milão no Séc. XV. E ainda são editados.

Os grandes ocultistas não se importavam com o tarô

dean_winchester_voce_nao_se_importa_nl                É de salientar que nenhum grande ocultista considerava as cartas como algo digino de estudo, e achavam Etteilla um impostor e consideravam as mulheres de grau inferior aos homens e mesmo burras para poderem desenvolver qualquer conteúdo digno de estudos.

                Mas porque falaram tão mal de Etteilla e das famosas cartomantes, se todo o significado taromântico que constam de seus livros foi copiados dos livros deste cartomante?

                Talvéz para tantarem separar o jogo comum, da visão esotérica que queriam imprimir ao tarô como outras cienciais ocultas como astrologia, pois apartir destes ocultistas que a palavra Arcano tomou lugar do comum Trunfo.

 

Tentativa de união de Cabala e Tarô

 

 

eliphas-levi

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Muito tempo após a morte de Etteilla surge o abade e ocultista Alphonse Louis Constant (1810-1875), cujo nome espiritual é Éliphas Lévi Zahed ou Éliphas Lévi. Grande mestre cabalista e primeiro erudito a reportar que o tarô tinha a mesma importância da cabala, da magia, da astrologia, ou de qualquer outro assunto estudado pela filosofia oculta.

                 Sua primeira obra foi lançada em 1856 e revela a união dos 22 arcanos do tarô aos 22 caminhos da Árvore da Vida (fundamento da cabala mística), faz uma correspondência entre os quatro naipes e as quatro letras divinas do tetragramaton.

                Por fim denomina a carta do tarô como arcano, e raramnte utiliza trunfo , que era usual, talvez para fazer a cisão do profano ( jogatina) e do sagrado (adivinhação) e passa a reportar-se ao tarô como uma arte oculta e se expressar como ARCANO DO TARÔ.

                 Tudo isto para entedermos que após 400 anos de tarô (clássico) surgem com Lévi e dai vários outros cabalistas,  que muito contribuiram para catapultar o conhecimento do tarô com a importância que ele merece ( por serem eruditos ocultistas respeitados socialmente), mas alterando valores básicos de cartas inclusive a posição e numeração destas.

               

Cada um quer ser diferente e puxa a sardinha para o seu saco e perdem-se todos.

perder_se_livrarSem entrar no mérito da questão estas escolas cabalista se sub-dividiram em outras tantas e cada uma alocou  cartas diferentes junto a caminhos diferentes da Árvore da Vida, de forma que ao estudante será impossível tentar unir estes conhecimentos ou usa-los para consulta.

                Então é sem sentido buscar estes caminhos para entender o tarô, servindo para estas organizações, para o intuito da magia cabalística etc.

E a confusão só piora atualmente

confusao_oshoPorém os estudos deixados são utilizados por muitos na atualidade que continuam a lançar livros e cursos de tarô baseados nestes conhecimentos (cada um ligado a uma escola diferente ).

 

                Alguns ainda veiculam que para aprender tarô é preciso antes estudar cabala ( loucura, estudar todas as diferenças entre cada escola no final o estudante ficará confuso e sem saber qual será que acertou, qual a verdadeira) , astrologia ou numerologia, puro absurdo.

Principais escolas cabalistas

simbolo-cabalistaSe como estudante comprar livros de uma escola das três principais linhas cabalista a  americana, inglesa ou francesa (fora outras disidentes destas escolas, que realizaram outras modificações mais pessoais, mas não esclarecem isto em seus cursos), com ensinos diferentes, para a mesma carta e outras modificações feitas a estrutura original (padrão marselhes) vai se perguntar qual a verdadeira.

                  Qual a melhor a seguir e como unir toda discordância?

corda-arrebentando A resposta  é nem tente uni-las e saiba que é importante seguir um caminho apenas ( tradicional de preferência), depois de dominar este, então estará apto para entender o que estas escolas distorceram, para atender a suas posições pessoais).

                  Pois ao final chegara a um mesmo lugar, uma boa leitura, pois o tarô responderá segundo este caminho, mas se tentar uma união terá muita dificuldade e uma consulta ruim da qual acabara sem ninguém a querer consultar contigo.

A miscelânea tarológica

                Além de muitos livros há também escolas que tentaram misturar tudo isto e ainda tentaram unir a simbologia da astrologia ao  tarô com as regências planetárias, também a numerologia que na verdade nada tem haver com o tarô, apesar de algumas semelhanças de significados.

                  Encontram-se avendas cartas com vários símbolos impresos além dos tradicionais, reportando ligações a numerologia, astrologia a cabala e ainda outras.

                  Vale lembra que são tentativas pessoais e que ninguém conseguiu fazer nenhuma união do tarô com nenhuma outra área de forma completa ou satisfatória, além de serem antagônicas entre si, acabam por criar no principiante a tarólogo muitas dúvidas.

                   Ainda que se retirar todo o ranço cabalístico e esotérico destas escolas e deixar apenas o valor simples e puro, que é o único que vai conseguir utilizar numa consulta de tarô, verá que o resto tem seu mérito apenas para cada caminho ou escola, mas totalmente inútil para a taromancia.

                    Então para que, estude pura e simplesmente o tarô e sua simbologia ( que já é suficientemente grande ), não perca um tempo enorme com um excesso de conhecimento dispensável para a profissão de tarotista, num futuro para seu desenvolvimento pessoal e espiritual ai sim seria muito apropriado.

 

COMO IDENTIFICAR SE UM ENSINAMENTO É CABALÍSTICO

 

                Basta olhar as cartas e verá  letras hebraicas, correspondências astrológicas, geometria sagrada, egipcias e mísiticas,  etc.  Em 1910, o ocultista inglês Arthur Edward Waite (1857-1942) lança o livro The Pictorial Key of Tarot e um tarô completo (Rider Waite), todo ilustrado por PamelaColman Smith (1878-1951), que influenciaria fortemente o eixo Inglaterra-Estados Unidos.

                 Apesar de não manter a dita origem egipcia de outros como medico e magista Gérard Encousse (Papus – 1909), e dizer claramente que estavam errados e que o tarô guardava uma simbologia antiga, era um oráculo novo, porém profundo e cheio de simbologia própria,  contudo manteve-se  próximo as imagens tradicionais ( padrão Marselha) e sem relação a cabala.

                 Apesar de ser um renomado cabalista da antiga Golden Dawn tendo sido presidente desta, ainda sim fez uma modificação para adequar a necessidade cabalista que foi mudar de lugar as cartas 8 A Justiça e a 11 A Força para se adequarem as letras hebraicas respectivas da Árvore da Vida, mas escreveu que isto nada alterava o valor intrínseco de cada arcano e apenas servia a ele e sua fraternidade.

Então como saber a diferença

diferente

 

Para isto é muito simples – valor taromântico tradicional ou clássico (simbologistas) – se o curso, baralho ou livro ensinar valores destes a estas cartas:

 

  • 7 de Ouros –  possui valor positivo como prosperidade, vantagens, ganhos.
  • 2 de Espadas – possui o valor negativo como discórdia, rivalidade, discussão.

Para os Cabalitas

  •  7 de Ouros – Se for de fracasso, prejuízo, perda.
  •  2 de Espadas – ou união, paz, acordo.

Teremos um ensinamento baseado na escola cabalista inglesa principalmente, através de Crowley. Basta saber isto.

Qual o objetivo destas ligações com a cabala?

                Estas ligações feitas do tarô a cabala tem um único objetivo que é a magia cabalística e nunca foi para melhoria tarológica e nem a isto se prestava, porém para o tarotista isto não tem sentido e estudar o porquê  e para que, no ambito pratico de uma cosulta é sem sentido.

                Como diz Nei Naiff não há nada que sustente uma única corrente  cabalística para fins divinatórios “ ( que é o objetivo final do tarô, por mais que afirmem o contrário).

                               Outra alteração que encontraremos em diversos tarôs é a dos nomes dos personagens da corte (arcanos auxiliares) nas cartas de Thoth — taro desenhado por Frieda Harris em 1935, sob a orientação de Aleister Crowley para ser usado em sua fraternidade.

                  Alguns escritores e ilustradores têm clonado o sistema de Crowley e/ou de Waite por considerá-lo uma regra geral, sem saber o porquê, e isto contribui para a deturpação da estrutura do taro.

confusão na cabeça dos estudantes

Confusão mental                  Essa onda de criatividade faz com que estudantes pensem na existência de tarôs corrigidos, modernos ou melhores.

                Contudo, chamo a atenção para o fato de que as explicações divinatórias fornecidas por Crowley e Waite são as mesmas de qualquer literatura, eles apenas estilizaram as imagens do taro, mudando nomenclaturas e ampliando as analogias, porém, insisto, o conteúdo adivinhatório permanece o mesmo! de avaliação histórica e estrutural.

 Hoje, os mais esclarecidos sabem que todos os estudos sobre taro com a cabala, a astrologia, a numerologia e a mitologia ainda são suposições, pontos de vista, formas de pensar.

 Essa concepção argumentativa não traduz o que é o tarô, não esclarece os valores dos arcanos, não revela para que servem as cartas ou como jogá-las.

Algumas de várias incongruências destas manipulações

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Por exemplo, na numerologia, o número 5 é símbolo de rebeldia, êxtase, diversão, com indicação favorável para questões financeiras e viagens; no taro, o arcano 5 simboliza ordem, disciplina, contratos sociais, dogmas, moralidade.

 Ora, são bem antagônicos, não são? Na astrologia, o signo de câncer simboliza todo valor familiar, afetivo, materno, passivo, concentra-se no passado e na educação; no taro, algumas cartas têm o símbolo de Câncer, como o arcano 7.

 Bem, essa carta representa determinação,coragem, impulsividade, uma força rumo ao futuro! Bem diferentes, não são? Alguns tarôs consideram a letra hebraica alef similar ao arcano Mago; outros, ao arcano Louco. Confuso, não?    

400 anos sem vínculo ao esotirismo  

                  Por muitos séculos não houve vínculo algum entre o taro e o esoterismo, e que somente a partir do período 1775-1850 os ocultistas perceberam a importância desse oráculo e começaram a estudá-lo.

                 Bem, não havia muita coisa escrita, somente as cartilhas de famosas cartomantes parisienses, chamadas de sibilas, tais como Mlle. Lenormand e Julia Orsini, e do cartomante Etteilla.

                 Como os ocultistas do século XIX adoravam filosofar sobre metafísica e não encontraram nada escrito sobre o tarô entre as grandes obras literárias dos séculos anteriores, começaram a estabelecer todo tipo de argumentação sobre os arcanos e a reinventar seu passado.

Aspetos negativos e positivos do esoterismo sobre o tarô

positivo-e-negativo                  Essa iniciativa teve um aspecto positivo formidável, pois permitiu que se descobrisse uma fonte maravilhosa de autoconhecimento e de orientação do livre-arbítrio, despertando o interesse da área esotérica; contudo, teve também um aspecto negativo, pois induziu muitas pessoas a pesquisar em direções erradas, e algumas delas até deturparam a simbologia e a estrutura dos arcanos.

                  Somente no final do século XX o estudo do taro começou a entrar em seu verdadeiro ritmo e direção, mas ainda se detecta muita superstição e desinformação por parte de antigos instrutores e no que se comercializa sobre o tema.

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Informação e mérito de pesquisa passadas pelo professor Nei Naiff.

 

 

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